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Tese de Doutorado em Psicanálise

 Tese de Doutorado em Psicanálise-alguns fragmentos.

1. INTRODUÇÃO

     A pesquisa da Ciência Psicanalítica empenha-se cada vez mais em mostrar as mais diferentes facetas do sujeito

neurótico dos tempos atuais. São tantos os vieses que a psicanálise trilha, de acordo com os conteúdos que vão surgindo e manifestando-se, tanto individualmente, como nas famílias, nos jovens, nos alunos em sala de aula, nas igrejas, nas associações, enfim nos mais diferentes grupos de pessoas e no diversos contextos!

     É constante o deparar-se com muitas pessoas que sofrem de uma diversidade cada vez maior de psicopatologias que disparam tantos sintomas que formam tantos quadros, por vezes, desesperadores que chegam até a amedrontar os contextos primevos da sociedade. Há tantas pessoas sofrendo que não sabem a quem recorrer, porque querem falar, falar, falar de suas dores, de seus sentimentos dolorosos, de suas dúvidas, de seus medos, de suas angústias, de suas realidades instáveis e conflitivas, enfim de tantas coisas que as atormentam, e as deixam como que num caminho sem perspectivas. E deparam-se que não encontram com facilidade quem as queira ouvir. O amigo ou colega quando o outro começa a falar  normalmente lhe responde: deixa, prá lá! Esquece! Sai do ontem! Sai dessa! E a angústia e frustração aumentam.

     Daí que, esta tese de doutorado, leva o nome de Psicanálise-Janela de Escuta, Porta de Diálogo. Ouvir, pontear, levar à reflexão, compreender, dar uma palavra que faça pensar, ajudar a desmoronar o que precisa ser desmoronado interiormente, para depois, reconstruir um novo Eu, uma nova realidade, uma nova forma de ser, de sentir, de perceber, de participar, de falar, de aprender, de ensinar, é o objetivo desta tese.

     Espero poder contribuir um pouco para amenizar a dor de pacientes, (a palavra paciente designa o que sofre, o que tem dor), que chegam até mim buscando ajuda, como psicanalista e também, de mostrar aos que estão estudando psicanálise para que se tornem profissionais de verdade, conscientes e responsáveis, que se empenhem para fazer a diferença onde quer que estejam e atuem.

     Diante de realidades psicopatológicas conhecidas e outras desconhecidas, que disparam sintomas os mais estranhos e diferentes possíveis, a Psicanálise vai se adaptando, se renovando, se atualizando e integrando saberes necessários para  uma fala, uma resposta, uma postura que os tempos pós-modernos exigem.

1.1Objetivo

     Este trabalho tem por objetivo apresentar, de acordo com pesquisas e observações, um olhar mais abrangente da necessidade cada vez maior do trabalho Psicanalítico  em todos os contextos da Sociedade da pós-modernidade, nos quais o sujeito continua sendo a peça fundamental da história, visando atender esse sujeito, sacudido pelo surgimento  galopante da diversidade da tecnologia, do novo que, ao mesmo tempo que o assusta, o incomoda e desafia, também o seduz e fascina.

     Dentro desse escopo, a Psicanálise quer ouvir a fala desse sujeito no sentido de levá-lo ao diálogo a fim de que lhe seja facilitado o sentir-se bem, o ser capaz de olhar para si mesmo sem robotizar-se mas manter, mesmo que seja pouco, um viés humano e humanizante.

     A procura do tratamento psicanalítico vem aumentando sempre mais e o profissional há que se ir atualizando, procurando maior conhecimento pelas pesquisas que se fazem necessárias para entender melhor as feridas feitas pelasneuroses e psicoses dos tempos atuais que levam a nomenclatura de pós-modernidade. O tempo exige mudanças muito rápidas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

     Os temas abordados, decorrentes das pesquisas e das vivência de consultório, para o fazimento desta Tese, atendendo ao grande desejo que alimento no sentido da obtenção do Doutorado em Psicanálise, são apenas uma pontinha mínima do grande iceberg das manifestações de psicopatologias latentes ou expressas que  mais se constata no exercício da psicanálise e que são mostradas a diário pela mídia.

Pesquisar, abordar e fazer reflexões sobre  todas é praticamente impossível num trabalho de Tese, daí que me ative apenas às que com mais assiduidade, pessoas manifestam e trazem para o trabalho analítico, sem querer, no entanto com isto,  demonstrar qualquer reducionismo. Estou ciente que as formas de sofrimento psíquico sempre existiram e sempre vão existir enquanto houver seres conscientes e inconscientes, enquanto houver pessoas, sujeitos vivendo em grupo, em sociedade, pois o ser humano é gregário, as relações interpessoais são imprescindíveis, e é sempre nas relações interpessoais que surgem os conflitos e nesses conflitos os conteúdos latentes de neuroses ou outras psicopatologias se fazem presentes.

     Vale dizer que sofrimentos  psíquicos também são decorrentes da forma como os grupos sociais se organizam, como são educados, como são ensinados, que limites e que regras lhes foram impostas na família, como fazem suas escolhas e suas seleções. Quantas vezes, em conversas de consultório ouvimos pessoas dizerem: ‘no nosso tempo de criança, nós apanhávamos, éramos cerceados na nossa liberdade de ir e vir sob a tal obediência aos pais soando como grande virtude e éramos felizes! Chegamos até aqui inteiros, e realizamos muitas coisas!’  Elas não têm noção do que estão dizendo, mal percebem o rombo que elas fizeram no seu EU; o tamanho da neurose que escondem sob uma cortina  de pessoas boazinhas, humildes e acima de qualquer suspeita, mas quanto mais boazinha for uma pessoa, mais cruel será seu super-ego. O porão (inconsciente) pode estar repleto de cobras e lagartos e de toda espécie de bicho peçonhento, e a qualquer hora poderá  dar o bote e destilar seu veneno.

Qualquer tempo histórico tem suas demandas, tem seus valores e desvalores, oferece oportunidades diversas e distintas; qualquer período da história deixa suas marcas características, porque o sujeito, mesmo com medo, com ansiedade, com transtornos neuroses, psicoses, psiconeuroses...vai se adaptando, vai se enquadrando, vai fazendo suas escolhas, vai tecendo sua história, vai percorrendo seu caminho com curvas e retas, vai se integrando como pode e como entende que deve se integrar ao seu contexto.

     Os excessos, os desatinos, as crueldades sempre serão malvistas e pessimamente recebidas. Mas o ser humano quer e precisa sentir-se bem, deseja ter paz, sente que só conseguirá  sentir-se melhor quando for respeitado, aceito como é, e valorizado. Como seres únicos que somos, deixamos na história, tanto pessoal quanto coletiva, a nossa marca, o nosso sinal  de seres únicos, incopiáveis e inigualáveis. Daí que Jung via o indivíduo como parte do universo e de todas as experiências e vivências humanas.

     Vale à pena ter esperança num mundo melhor partindo de um sujeito transformado, no nosso caso, a partir de sua reconstrução de dentro para fora. A psicanálise está aí como Janela de escuta e Porta de diálogo.

Judithe Fasolin Zanatta - Doutora em Psicanálise

 
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