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O CONTAR HISTÓRIAS NA ANÁLISE/TERAPIA

O CONTAR HISTÓRIAS NA ANÁLISE/TERAPIA - Prof. Judithe Fasolin Zanatta

É importante contar histórias na análise e ou terapia?

Sim. É muito importante. Jung contava muitas histórias e estória embora ele não
gostasse de tratar de crianças. Mas o contar histórias não é importante apenas na
terapia de crianças é também na de adultos, de adolescentes, de jovens e até
na terapia da terceira idade. Jung contava histórias de fatos ocorridos com pessoas,
contava situações  acontecidas, vividas ou vivenciadas por personagens históricos,
ou familiares, de fatos bíblicos, porque atrás de toda a história ou estória tem um
ensinamento, uma dica, um insight etc.

Contando histórias pode-se levar o outro a aprender a proteger suas emoções
e a lidar melhor com elas.

Nós percebemos que nos tempos atuais há muita deficiência e habilidade no quesito
lidar com emoções ou gerenciar emoções. Há muita filosofia, muitas frases  de efeito
sendo ditas, mas o saber lidar de fato com aquilo que nos chega inesperadamente
e provoca sentimentos dolorosos e pensamentos inesperados  nós não sabemos lidar
bem. Assim sendo, há muito represamento  de emoções que pode resultar em
consequências  muito desagradáveis e pode resultar em:

Atitudes de crueldade:

- Falas agressivas;
- Dificuldade de aprendizado;
- Falta de atenção e de concentração;
- Medo generalizado(medo de ficar só, medo de ser desprezado, medo de não acertar,
medo de não ser aceito, medo de perder os pais, medo de ser abandonado etc);
- Hiperatividade;
- Fobias;
- Distúrbios do sono;
- Enurese noturna;
- Ansiedade e Depressão etc.etc.

Será o bastante, conversar apenas com pacientes com quadros assim? 
Será suficiente eles falarem simplesmente, contando suas dores para o terapeuta?
Nós sabemos que a experiência vivida não é a mesma da experiência representada.

A criança não vai falar de forma a expressar a dor vivenciada, na sua totalidade. 
A linguagem cotidiana não é a linguagem dos sentimentos de uma criança. A linguagem 
natural dos sentimentos de uma criança é a linguagem da imagem,da imaginação, da 
simbologia, da matáfora, do sonho e do desejo. O inconsciente da criança fotografa a 
imagem que ela vê nas atitudes e na fala dos adultos, da realidade que ela vive, e
guarda
esses registros (essa foto) que pode ser de  desprazer, de dor, de raiva, de
ódio, de descaso,
de abandono, de maus tratos, mas também pode ser
uma imagem de AMOR.

A comunicação, a linguagem  do analista é extremamente importante em seu
trabalho. Ela não pode  ser fruto de uma confusão de linguagens entre ele e seu
paciente. A confusão de linguagem precisa ser evitada à medida do possível.

Exemplo:

- Pai, por que a mamãe está chorando?
Filho, depois, mais tar...
(o filho interrompe: Hi, pai, pai, pai, olha lá, que lindo pássaro está
pousando naquela janela...)

Se o pai ao retomar a resposta da pergunta que o filho lhe fez, o filho já
não vai mais ouvi-lo, porque ele já está preso à imagem do pássaro e não
à imagem da mãe chorando. Se o pai continuasse respondendo o que o
filho lhe perguntou sobre o choro da mãe, o filho não ouviria com interesse,
não daria a importância que deveria dar.  Criaria-se uma confusão de linguagem,
porque o pai continuaria falando e a imagem na  imaginação do menino
também, só que esta seria sobre o pássaro.

Isto prova que crianças  não pensam e sentem com a lógica dos adultos.
Daí haver deficiência no atendimento a crianças por parte de terapeutas. Por isso,
é preciso que os profissionais se aprofundem cada vez mais na
fundamentação do conhecimento e das técnicas terapêuticas, para
que a comunicação seja cada vez mais fecunda entre  ambos.
A linguagem de histórias atinge um nível mais profundo e  imediato.

No caso do paciente adulto, não só a história funciona, uma vez que atrás de
cada história tem o famoso: moral da história; mas também a sua fala lógica...

 

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